Já não sei quem sou
nem tão pouco sei quem és
já não sei para onde vou
para onde me levam meus pés
Já não sei quem me amou
nem tão pouco quem amei
a memória simplesmente voou
o que será da minha vida?... não sei
As poucas memórias que me restam
me mantêm ligado a este mundo
as reacções doentias que se manifestam
me deixam num vazio profundo
Com quem estou a falar?!
Não lhe reconheço a face, a voz!
Tem algo de familiar
talvez seja parte de nós
Uma vida carregada de histórias
de acção, de pessoas, de momentos
de lutas, sacrifícios, pequenas vitórias
de puros e verdadeiros sentimentos
Já não sei quem são...
já não sei quem és...
já me treme a mão...
já não sinto meus pés...
Meu olhar, outrora, feliz risonho
hoje é triste, vazio, oco
foi-se a lembrança, foi-se o sonho
esquecimento que me deixa louco
Estas lágrimas que pela face escorrem
são como memórias que se vão perdendo
não há esperança que um dia voltem
a cada dia que passa vão morrendo
Se eu à rua sair, com certeza, me vou perder
neste caminho cada vez mais escuro e frio
mas esta ânsia de ainda querer muito viver
estimula a aceitação desse grande desafio
Vou, então me perder
porque nada será igual
na réstia vontade de viver
antes de um triste final,
uma última vez ao espelho me irei ver
uma lembrança no olhar ficará de mim
até ela se esmorecer,
perder...
esquecer...
até a consciência ditar o fim.
de Filipe Santos
(imagem tirada da net, autor desconhecido)