sábado, dezembro 24, 2016

Natal?!...



Mais um Natal
Um Natal de hipocrisia
de fechar os olhos ao que nos rodeia
de reinventar a palavra Família
de sentimentos em apneia
de um mundo inundado de cobardia
Um Natal de esquecimento
sem a dita inocência
pobre em sentimento
que vive de aparência
como se pode ter Natal?
com tanta dor...
sofrimento...
que se tornou fatal
sem amor
tormento
e aquela criança que chora
porque tudo perdeu
aquela família que implora
pela paz a quem julga que venceu
Vive de guerra este Natal
de podridão, desumanidade
em vez de festa... um funeral
mais uma bomba na cidade
já é tão vulgar... normal
fecha-se os olhos na esperança
que o dito Messias venha salvar
aquela agonia... aquela criança
e esta maldita guerra acabar
Natal de saudade
dos que não estão cá
mas mais do que cá estão
porque estão desligados do amanhã
e nem sabem o que é solidão
Natal de desejo esquecido
duma viagem perdida
Natal só fará sentido
se for para dar vida
Família, Amizade
Amor fraterno
Lágrima, saudade
Natal assim...
Poderá ser uma eternidade

De Filipe Santos

segunda-feira, dezembro 05, 2016

Mais uma vez... Amar na Escuridão

Amar na Escuridão
foi assim que me amaste
numa profunda solidão
foi assim que me encontraste
nessa minha amarga fragilidade
onde já nada fazia sentido
onde alguém por leviandade
me fez ficar perdido
deste-me a mão e desafiaste
o meu destino e o teu
e do chão me levantaste
para que voltasse a ser eu
Amaste-me como se o amanhã não houvesse
conseguiste reencontrar o melhor de mim
por mais obstáculo que aparecesse
sempre...
sempre comigo tiveste até ao fim
Amaste-me na minha escuridão
iluminaste a minha alma, minha vida
libertaste-me do pesadelo, da prisão
da tristeza que se deu por vencida
Chorámos juntos nossas tristezas
Aceitaste o que de mim trazia
um futuro cheio de incertezas
uma vida em estado de agonia
Teu sorriso me sustenta
és minha força de viver
teu amor me alimenta
transforma o meu Ser
Amar na Escuridão
Não está ao alcance de um qualquer
Tu assim me amaste
tu assim me encontraste
e nunca...
nunca me deixaste
Só poderá ser amor
amor puro, verdadeiro
este que me fez lutador
me entregar por inteiro
a este amar na Escuridão
que deixou de existir
porque iluminaste meu coração
numa louca paixão
que nunca...
nunca...
Irá partir.

De Filipe Santos