sábado, outubro 04, 2008

Mais uma vez...


Mais uma vez... alguém que partiu


Deixo uma recordação de um amigo que partiu....



É difícil estar só, com tanta gente
Que ao nosso lado aumenta a solidão!
Saber que estar só é ser diferente,
É ser apenas um na multidão!

É difícil sentir que, de repente,
Somos menos que um átomo: um neutrão,
Um fogacho de luz, um comburente
Do cosmos gigantesco em combustão.

Difícil é saber qual o papel
Que vamos na Vida interpretar
Na plateia que iremos enfrentar.

Buscamos no outro a sua pele,
Assumimos de um outro a dimensão
Pra ser o que não somos: Ilusão!

Fernando Peixoto


Até qualquer dia....


Filipe Santos

5 comentários:

Chave da Poesia disse...

Olá Filipe,
Não podias escolher melhor poema para lembrar Fernando Peixoto em sua essência e sabedoria.
Sua intimidade profunda com a Arte e sobretudo o teatro, não foi um mero acaso. Ele sabia com precisão, onde Vida e Teatro se fundiam, e entre o palco da vida e a ribalta da arte, caminhava... e por certo sorria porque andava sobre a linha divisória e invisível que os demarca, levando de um lado para o outro com uma extraordinária sutileza, porções que sua poesia amalgamava numa soberba alquimia.
Talvez ainda leve um tempo até que os estudiosos, analistas e investigadores desatem este novelo de Ariadne... e sorriam todos...
O "simples" é mais difícil desvendar!
Obrigada por sua visita ao Chave, criado por ele e mantido por nós com um carinho especial.
Meu abraço grato,
Sylvia Cohin

Branca disse...

Uma perda irreparável.
Depois do sábio comentário de Sylvia Cohin, não me sinto capaz de acrescentar mais nada. Nâo posso concordar mais com esta amiga quando diz que o "simples" é mais difícil desvendar e o Fernando Peixoto era um homem de um enorme saber, mas não podia ser mais simples. Preferia distribuir esse saber e espalhar o seu charme pelos humildes e por todos os que o mereciam a percorrer as luzes da ribalta.
Só espero que todos os seus livros possam ser reeditados para que muitas mais pessoas aprendam com ele. Estou a ler "A linguagem do silêncio", que embora me tivesse dito há pouco tempo que hoje o reescreveria de outra forma, o que é lógico, há sempre uma evolução em nós ao longo da vida, mas aquele livro é mesmo assim um espelho do que é um homem de enorme talento, sensibilidade e humanidade, uma leitura que diz muito a todos os que viveram a guerra colonial, mesmo que aqui no Continente, a uma certa distância, porque no fundo mesmo aqueles que eram jovens na altura, como eu, estamos todos ainda muito marcados por ela e pelo sistema político que se vivia na altura.
Ainda não estou conformada com a sua partida, tinha muito a aprender com ele e quero ainda aprender com a obra que deixou.
As saudades têm crescido durante esta semana.
Deixo um abraço.
Branca

jas disse...

Amigo de há 40 anos, o seu desaparecimento deixou enormes saudades. Saudades dos seus poemas, dos seus livros, da sua vida dedicada na luta contra o inconformismo, pela liberdade e democracia.
Fernando Peixoto foi meu Mestre, Amigo e Companheiro de muitas lutas.
Obrigado Filipe pela evocação a um Homem de grande capacidade intelectual.

Helena Peixoto disse...

Olá Filipe...

É assim, no palco da vida, que vou "tropeçando" nos amigos que o mantêm vivo... é uma doce forma de o sentir próximo, de sentir que ainda que a poeira do tempo nos tente cobrir com o seu manto, a memória viverá sempre nas suas palavras pois essas são eternas...
Obrigado pelo carinho...

Helena Peixoto disse...
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