segunda-feira, março 16, 2020

Mais uma vez... fiquem em casa

Pela minha janela,
recordo...
outrora uma revolução
feita na rua
de cravo na mão
nenhuma arma nua
acabara a prisão
Na minha janela
hoje...
estou preso,
não pela liberdade
amordaçada
não pela liberdade
conquistada
mas sim por uma maldita doença criada
Difícil tempo este
de ingenuidade...
irresponsabilidade
que a cada dia que passa fortalece a peste
de mentira,
falsidade
de inconsciente atitude agreste
O perigo anda à solta
e obriga à clausura
e não há mais revolta
do que a imbecilidade pura
Somos seres de contacto
de sentimentos
e afectos
e nesta Guerra, neste mau-trato
ficamos bloqueados, obsoletos
Este inimigo invisível
Testa a força da Humanidade
Só juntos será possível
acabar com esta enfermidade
Pela Janela,
vejo uma gaivota em plena liberdade
com o vento livre batendo-lhe na asa
esse vento que, um dia, para nós será realidade
se ficarmos todos, hoje, em casa.

de Filipe Santos


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