segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Mais uma vez... Espelho

Vejo-me ao espelho...
Aquele que vejo à minha frente
hoje está acabado... velho
um tanto ou quanto diferente
Este espelho que reflecte a mim
e que em menino
me fez viajar até ao infinito
que construiu sonhos sem fim
que me fez herói de alguém aflito
tipo d’Artagnan, espadachim
até Faraó, rei do Egipto
sem pós de pirilimpimpim
é o mesmo espelho
que hoje me faz esconder
sentir-me ferro-velho
porque tem ele esse poder
tornar o sonho em pesadelo
o heroísmo em cobardia
a vaidade em desmazelo
o sorriso em dor, em agonia.
O amor próprio vai-se perdendo
as rugas vão aparecendo
e o espelho é ingrato
no passado teu confidente
tua força, teu fiel retrato
tornando-se cada vez mais errante,
decadente...
E aquelas declarações de amor?
corajosas, ditas à tua frente
aquele olhar felino, sedutor
aquele discurso de Presidente
fizeste de mim cientista, actor
até herói de banda desenhada
fazendo de mim verdadeiro cantor
com o cabo da vassoura, minha namorada
fui até Cowboy, Zorro de capa e espada...
Mas hoje tudo não passa de uma miragem
o reflexo de uma realidade vivida
de uma vida de coragem
que hoje é memória esquecida
Hoje os espelhos estão cobertos
por falta de vontade de acreditar
que os sonhos ainda são possíveis de se concretizar
porque afinal és belo e que as ditas rugas
são marcas de vida, de uma vida experimentada,
de uma vida realmente sentida.
O espelho tem de ser descoberto,
tem de viver novamente...
fazer sentido...
ele trará novamente o amor, o teu amor próprio...
aquele que foi perdido
e naquele momento certo
irás perguntar ao espelho
esse que um dia se perdeu
“Espelho, espelho meu...
haverá alguém tão belo
quanto eu...”

De Filipe Santos

Fotografia: "Autor Desconhecido"

sábado, dezembro 24, 2016

Natal?!...



Mais um Natal
Um Natal de hipocrisia
de fechar os olhos ao que nos rodeia
de reinventar a palavra Família
de sentimentos em apneia
de um mundo inundado de cobardia
Um Natal de esquecimento
sem a dita inocência
pobre em sentimento
que vive de aparência
como se pode ter Natal?
com tanta dor...
sofrimento...
que se tornou fatal
sem amor
tormento
e aquela criança que chora
porque tudo perdeu
aquela família que implora
pela paz a quem julga que venceu
Vive de guerra este Natal
de podridão, desumanidade
em vez de festa... um funeral
mais uma bomba na cidade
já é tão vulgar... normal
fecha-se os olhos na esperança
que o dito Messias venha salvar
aquela agonia... aquela criança
e esta maldita guerra acabar
Natal de saudade
dos que não estão cá
mas mais do que cá estão
porque estão desligados do amanhã
e nem sabem o que é solidão
Natal de desejo esquecido
duma viagem perdida
Natal só fará sentido
se for para dar vida
Família, Amizade
Amor fraterno
Lágrima, saudade
Natal assim...
Poderá ser uma eternidade

De Filipe Santos

segunda-feira, dezembro 05, 2016

Mais uma vez... Amar na Escuridão

Amar na Escuridão
foi assim que me amaste
numa profunda solidão
foi assim que me encontraste
nessa minha amarga fragilidade
onde já nada fazia sentido
onde alguém por leviandade
me fez ficar perdido
deste-me a mão e desafiaste
o meu destino e o teu
e do chão me levantaste
para que voltasse a ser eu
Amaste-me como se o amanhã não houvesse
conseguiste reencontrar o melhor de mim
por mais obstáculo que aparecesse
sempre...
sempre comigo tiveste até ao fim
Amaste-me na minha escuridão
iluminaste a minha alma, minha vida
libertaste-me do pesadelo, da prisão
da tristeza que se deu por vencida
Chorámos juntos nossas tristezas
Aceitaste o que de mim trazia
um futuro cheio de incertezas
uma vida em estado de agonia
Teu sorriso me sustenta
és minha força de viver
teu amor me alimenta
transforma o meu Ser
Amar na Escuridão
Não está ao alcance de um qualquer
Tu assim me amaste
tu assim me encontraste
e nunca...
nunca me deixaste
Só poderá ser amor
amor puro, verdadeiro
este que me fez lutador
me entregar por inteiro
a este amar na Escuridão
que deixou de existir
porque iluminaste meu coração
numa louca paixão
que nunca...
nunca...
Irá partir.

De Filipe Santos

quarta-feira, novembro 23, 2016

Mais uma vez... A minha Rua (Rua Direita)


Aquela minha rua eu desci
como se eu fosse a água da chuva
que livremente corre rua abaixo
aquela rua onde cresci
deixou-me de visão turva
estranho, um tanto cabisbaixo
Onde está aquela gente
em constante alvoroço?
Senti-me diferente
num fundo de um poço
Outrora uma rua cheia de vida
de janelas abertas e de canções
hoje uma rua talvez esquecida
sem Varina e seus pregões
A rua estava deserta
o silêncio incomodou
uma porta entreaberta
Ninguém!... tudo mudou
Continuei a descer essa rua
e a saudade me agarrou
ela já não é minha, está nua
de gente... tudo acabou
Na ladeira do passeio
já não há o jogo da carica
já não há hora de recreio
até nos dar a dita larica
Mas afinal o que se passou aqui?
tudo deixou de fazer sentido
por isso, desta vez a rua subi
para não me sentir perdido
Mas tudo na mesma, nada mudou
Gritei e nada... ninguém me ouviu
Só o eco, o eco despido regressou
e o som daquele menino que pediu
uma moedinha para o S. João
já faz parte de um passado
que ainda sinto na minha mão
As pedras gastas têm tanta história
de um povo secular, trabalhador
mas hoje uma rua sem memória
sem bairrismo, sem aquele calor
do Povo deste pedaço de terra
da sua origem que ninguém rejeita
humilde, sempre "pronto p'ra guerra"
desta vida nada perfeita
Era assim a minha rua
"...mesmo sem ter nada
torta ou esburacada
ninguém a rejeita
P'ra quem mora lá
mais linda não há
que a Rua Direita..."


De Filipe Santos

quinta-feira, novembro 17, 2016

Mais uma vez... Depressão






Sentir-se sozinho... novamente
Rodeado de gente
mas sozinho mais uma vez
nem triste nem contente
desequilibrado, perdido... talvez
alucinado, na escuridão fechado
num estado de surdez
numa tristeza profunda
num vazio de alma perdida
numa loucura imunda
de por fim à vida
Ninguém percebe os sinais
tudo foge, tudo se afasta
ninguém te ouve os “ais”
da dor imensa que te arrasta
Estás sozinho nessa luta desigual
contra algo que desconheces
que transforma todo o Bem em Mal
e que do Amor te esqueces
Sentir como se tudo estivesse a cair
onde tudo incomoda
o falar, o chorar, o sorrir
Já não sabes o que fazer
Será tudo somente loucura?
Já não tens nada a perder
chama alguém, procura...
A luz ao fundo do túnel está distante
tudo fica mais escuro, silencioso
o teu estado inconstante
deixa-te doente, receoso
o tempo demora uma eternidade
e já te custa respirar
Onde andas tu na verdade?
Não sabes onde ir ou ficar
O tempo agora escasseia
e ninguém te dá a mão
és deserto, és areia
de mão dada com a solidão
A luz da tua alma se perdeu
os teus olhos deixaram de ver
a vida que alguém te deu
acabaste por a perder
Agora só te resta desistir ou lutar
para acabar com essa agonia
o que das tuas forças restar
usa-as sem cobardia
Vive!... essa é a solução
encara-a com valentia
Diz adeus à maldita... Depressão
Amanhã será com certeza um novo dia...

De Filipe Santos

Mais uma vez... Feliz sem mim



Ai... como eu tenho inveja da chuva
Dessa chuva que te acaricia a pele
que te toca nos lábios suavemente
que contorna teu corpo
como se fosse um pincel
de um pintor louco, demente
pelo teu amor carente
Inveja dessa chuva fria
dessa que te provoca arrepio
que te faz ansiar pelo calor do dia
ou por um lugar à fogueira vazio
Ai... como eu tenho ciúmes do vento
desse vento que te sussurra ao ouvido
e te faz soltar um lindo sorriso
desse vento que te liberta o cabelo
e te faz voar por um momento
Ciúmes desse vento sem juízo
pela tempestade endurecido
à procura do que em ti há mais belo
pelo teu olhar apaixonado, vencido
Ai... que raiva tenho do luar
desse luar que te ilumina
te deslumbra, te faz delirar
desse mar de estrelas que te fascina
e que durante o teu sono te faz sonhar
Ai... como odeio o sol
esse sol que te conforta
que te alimenta, te aquece
que a tua alma exorta
e que de ti nunca esquece
Sim...
Inveja...
Ciúme...
Raiva...
Ódio...
Da chuva, do luar, do sol e do vento
Porque juntos em algum momento
Fizeram-te feliz, simplesmente assim
Mesmo sem mim...

De Filipe Santos

Mais uma vez... Para ti já sou ninguém

Para ti já sou ninguém
Já não te conquisto
Já não te satisfaço
Já não te faço voar
Já não te faço sonhar
Para ti já fui alguém
Por isso insisto
Por isso não desisto
Por isso persisto
até um dia me cansar
E quando o cansaço me vencer
Quando não houver mais algo a dizer
ficará só a lembrança de um olhar
esse que um dia me apaixonou
esse que um dia me fez lutar
por algo que ainda não terminou
mas que está prestes a terminar
Minha voz não consegue exprimir
a dor que me destroi por dentro
a história... talvez...
mais uma vez...
se repita...
o sonho se torne um tormento
e este silêncio que grita
se faça ouvir num só momento
maldito circulo vicioso que roi
que marca
esburaca
e que quase destroi
muitos dizem que nos faz crescer
amadurecer
aprender
eu digo que tudo se torna frio
escuro,
silencioso,
sombrio
Para ti já sou ninguém
só me resta acordar e lutar
porque e só porque
Para ti...Já fui alguém...

De Filipe Santos