quarta-feira, novembro 23, 2016
Mais uma vez... A minha Rua (Rua Direita)
Aquela minha rua eu desci
como se eu fosse a água da chuva
que livremente corre rua abaixo
aquela rua onde cresci
deixou-me de visão turva
estranho, um tanto cabisbaixo
Onde está aquela gente
em constante alvoroço?
Senti-me diferente
num fundo de um poço
Outrora uma rua cheia de vida
de janelas abertas e de canções
hoje uma rua talvez esquecida
sem Varina e seus pregões
A rua estava deserta
o silêncio incomodou
uma porta entreaberta
Ninguém!... tudo mudou
Continuei a descer essa rua
e a saudade me agarrou
ela já não é minha, está nua
de gente... tudo acabou
Na ladeira do passeio
já não há o jogo da carica
já não há hora de recreio
até nos dar a dita larica
Mas afinal o que se passou aqui?
tudo deixou de fazer sentido
por isso, desta vez a rua subi
para não me sentir perdido
Mas tudo na mesma, nada mudou
Gritei e nada... ninguém me ouviu
Só o eco, o eco despido regressou
e o som daquele menino que pediu
uma moedinha para o S. João
já faz parte de um passado
que ainda sinto na minha mão
As pedras gastas têm tanta história
de um povo secular, trabalhador
mas hoje uma rua sem memória
sem bairrismo, sem aquele calor
do Povo deste pedaço de terra
da sua origem que ninguém rejeita
humilde, sempre "pronto p'ra guerra"
desta vida nada perfeita
Era assim a minha rua
"...mesmo sem ter nada
torta ou esburacada
ninguém a rejeita
P'ra quem mora lá
mais linda não há
que a Rua Direita..."
De Filipe Santos
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