quarta-feira, novembro 16, 2016

Mais uma vez... Larápio




De um larápio eu nasci
mas do larápio nada herdei
aquilo que com ele vivi
foi o dia em que acordei
e que nunca esquecerei
Ladrão, canalha
Pela má vida viciado
No meio da escumalha
Constantemente enclausurado
Um pai ausente,
irresponsável
De amor abstinente
eterno miserável
Diferente de ti eu sou
orgulho-me de ser assim
de larápio nada ter
o que de mim mudou
devo-te a ti... sim
por conseguir vencer
sem ter de recorrer
à dita vida fácil, vadia
vivê-la humildemente,
intensamente,
de alma cheia, nada vazia
Larápio a ti agradeço
a vida que até aqui vivi
talvez seja algo até controverso
este agradecimento a ti
mas de facto tornaste-me mais forte
A dar valor a todos meus sentimentos
Sem nunca ter perdido o norte
Sem lugar para arrependimentos
Estas palavras prefuram meu coração
Que me deixam desalmado
Por este Larápio acabado
É de dor, mágoa, desilusão
Esta lágrima que sempre me cai
Por este Larápio mal amado
Por este larápio... meu pai
De Filipe Santos

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